O que muda pra você com o manifesto das mulheres negras nas Eleições 2026
O documento da Articulação de Mulheres Negras propõe um pacto de bem viver e pressiona candidatos a garantir justiça racial nas urnas de 2026
Imagem: midianinja · CC BY-SA 2.0 · fonte/licença
Ao som de "Levanta povo, cativeiro já acabou!", cantado por Clementina de Jesus, ativistas negras se aglomeraram na esplanada do Congresso, em Brasília, nesta quarta‑feira (26), para apresentar o Manifesto Político das Mulheres Negras do Brasil.
O documento, coordenado pela Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), propõe a construção de um sistema político centrado no "Bem Viver", priorizando justiça, equidade, solidariedade e vida digna nas políticas públicas.
Com foco na emancipação, o manifesto coloca mulheres pretas e pardas como protagonistas: cidadãs, eleitoras, lideranças territoriais e candidatas a cargos de poder, exigindo que sua capacidade de gestão e imaginação seja reconhecida nos parlamentos e no executivo.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, das 20.560 candidaturas previstas para 2026, apenas 6% são de mulheres pretas e 12,2% de pardas, contrastando com os 28,2% da população que se declara mulher negra, conforme a PNAD 2021. A campanha #EuVotoEmNegra busca reverter esse desequilíbrio.
Jolúzia Batista, da AMB, destaca que o pacto busca reparação histórica e combate ao racismo e sexismo nas urnas. Janira Sodré alerta para a "guerra híbrida" que tenta desmantelar direitos sociais, enquanto a promotora Nádia Estela reforça que a presença de mulheres negras é essencial para a democracia e a justiça racial.
