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Política

"Lula 2" ? Sabatina turbina teoria de que Renan Santos seria a nova esquerda

Fundador do MBL e crítico simultâneo de Lula e da família Bolsonaro, candidato libertário inspirado em Milei sobe nas pesquisas e reacende debate que lembra as acusações feitas contra FHC nos anos 1990

Por Flávio Cavalcanti · 08 ago. 2026 às 15:15
"Lula 2" ? Sabatina turbina teoria de que Renan Santos seria a nova esquerda
Renan Santos saiu do estúdio da sabatina de O Antagonista e G4, na última terça-feira (4), como o nome do dia nas redes sociais — mas não necessariamente pelas razões que ele gostaria. Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e hoje candidato à Presidência pelo partido Missão, Santos usou boa parte do seu tempo de fala para atacar simultaneamente Lula (PT) e a família Bolsonaro, num evento que reuniu ainda Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) — Lula recusou o convite e Flávio Bolsonaro (PL) encerrou a rodada de entrevistas. "A família Bolsonaro e o lulismo são duas faces da mesma moeda não porque são iguais, eles são diferentes entre si, mas porque ambos geram danos terríveis para o nosso futuro", disse Santos, resumindo a estratégia que vem repetindo desde o lançamento da candidatura: recusar qualquer identificação com os dois polos que dominam a política brasileira há décadas. Na sabatina, ele foi além da crítica genérica. Ironizou o que classificou como debate raso, focado em benefícios sociais em vez de reformas estruturais: "O Lula dá mais um pouco de Pé-de-Meia, o Lula dá mais um Auxílio Gás para as pessoas, e o Flávio Bolsonaro oferece celular de graça para mulher." Sobre a tentativa de Jair Bolsonaro de estruturar um partido próprio para os filhos, disparou que o projeto não avançou porque os herdeiros não tinham "inteligência" suficiente para tocá-lo — fala que rodou rapidamente nos grupos de WhatsApp e viralizou como um dos momentos mais ácidos da sabatina. A tese do "Lula disfarçado" É esse duplo ataque — e, sobretudo, o tom usado contra a família Bolsonaro — que tem alimentado nas redes um debate espinhoso: seria Renan Santos, na prática, um projeto que ajuda a esquerda a se reinventar com uma cara nova, "moderna", enquanto finge disputar espaço com a direita tradicional? A leitura, atribuída por internautas a setores mais bolsonaristas, o apelidou informalmente de "Lula 2" — a ideia de que, ao golpear os dois lados com a mesma intensidade, ele estaria na prática enfraquecendo apenas um deles. O paralelo histórico que voltou a circular é o de Fernando Henrique Cardoso. Um morador ouvido nas ruas resumiu o argumento que setores da direita vêm repetindo: "Lembra do FHC? Parecia que era opositor ao Lula, mas na verdade eram apenas faces da mesma moeda, tanto que na entrega da faixa o FHC estava sorrindo. Tudo esquerda do mesmo saco." É a mesma acusação — "farinha do mesmo saco" — que a esquerda mais radical fazia a Fernando Henrique nos anos 1990 e 2000, quando o via como um adversário de fachada de Lula dentro do establishment. Agora, a acusação migra de lado: quem a repete hoje é um eleitorado que se sente traído por qualquer crítica à família Bolsonaro, por mais consistente que essa crítica seja com o discurso liberal-libertário que Santos defende desde a fundação do MBL, em 2014. Não há, até o momento, registro de uma onda equivalente e coordenada do lado oposto do espectro chamando Santos de aliado. O que existe, sim, é a estranheza registrada nas redes: o fato de trechos da sabatina — sobretudo os ataques à família Bolsonaro — circularem com aprovação em perfis identificados com a esquerda, algo pouco comum para um candidato que também dedica parte relevante de seu discurso a criticar o PT e o lulismo. Uma explicação menos conspiratória Cientistas políticos consultados pela imprensa oferecem uma leitura mais simples do fenômeno do que a de um "disfarce ideológico". Segundo eles, Santos está crescendo entre eleitores mais jovens — geração Z e público masculino — e retirando especificamente de Flávio Bolsonaro uma fatia de eleitores de direita que está frustrada com os escândalos recentes que cercam a família Bolsonaro, mas que segue irredutivelmente avessa ao PT. Não se trata, nessa leitura, de um eleitor migrando para a esquerda: é um eleitor de direita insatisfeito com a opção disponível, que encontra em Santos um discurso anti-establishment que soa mais autêntico do que o de um herdeiro político. Os números ajudam a explicar por que o debate ganhou força justamente agora. Segundo o Instituto Quaest, Santos aparece com 3% das intenções de voto no primeiro turno em junho de 2026, tecnicamente empatado com Ronaldo Caiado. Mais revelador é o comportamento em simulações de segundo turno contra Lula: o percentual de Santos saltou de 28%, em maio, para 31% em junho — um crescimento que o coloca como o adversário de Lula que mais avança no cenário, à frente do próprio Flávio Bolsonaro em algumas simulações, ainda que continue como candidato de nicho no primeiro turno. Santos, de sua parte, rejeita publicamente o rótulo de "terceira via" — termo que normalmente descreveria um candidato de centro tentando equidistância entre os polos. Ele insiste que sua candidatura busca vencer confrontando os dois lados, não ocupar um espaço neutro entre eles. É uma diferença sutil, mas que ajuda a entender por que a tese do "disfarce" ganha tração: ao recusar o rótulo mais confortável e menos ambíguo, ele deixa margem para leituras opostas sobre a real direção do seu discurso. O que vem a seguir Com a corrida presidencial de 2026 entrando na fase de debates, a tendência é que episódios como este se repitam — e que a linha entre "crítica libertária ao sistema" e "ajuda disfarçada a um dos polos" continue sendo disputada nas redes a cada nova sabatina. Resta saber se o crescimento de Santos, hoje concentrado no público jovem e nos insatisfeitos com os Bolsonaro, vai se sustentar quando os holofotes da campanha se voltarem com mais força para o seu próprio histórico — incluindo processos e dívidas fiscais e trabalhistas associados a empresas ligadas à sua família, revelados em investigações de anos anteriores.
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