Entenda o manifesto das mulheres negras para as eleições 2026 e o Pacto do Bem Viver
O documento da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras propõe justiça, equidade e maior presença das pretas na política, reforçando a agenda do bem viver
Imagem: Prosa · CC BY 4.0 · fonte/licença
Um trecho da canção "Cangoma me Chamou", cantada por Clementina de Jesus, ecoou na Praça dos Três Poderes enquanto o manifesto era apresentado, reunindo ativistas e lideranças negras.
O documento, elaborado pela Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), propõe a construção de um sistema político centrado no Bem Viver, com justiça, equidade, solidariedade e dignidade como pilares das políticas públicas.
Ao colocar as mulheres pretas e pardas no centro da tomada de decisão, o manifesto vai além de ser mero alvo de ações afirmativas; busca sua presença efetiva nas casas legislativas, no executivo e nas lideranças territoriais.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, das 20.560 candidaturas de 2026, apenas 1.234 (6%) são de mulheres negras, contraste marcante com os 28,2% da população que se declara mulher preta ou parda.
Jolúzia Batista, coordenadora nacional da AMB, destaca a luta por reparação e igualdade, enquanto Janira Sodré alerta para a "guerra híbrida" que tenta desmantelar direitos conquistados, especialmente contra mulheres negras e outras minorias.
O movimento também divulgou a hashtag #EuVotoEmNegra, criticando a baixa destinação de recursos dos fundos partidários e eleitorais a candidaturas femininas negras.
Com a campanha avançando, as organizadoras esperam que as eleições de outubro reflitam o compromisso com o bem viver e ampliem a representatividade negra nos espaços de poder.
