Ciberataques EUA superam vigilância tradicional nas eleições brasileiras
Especialistas alertam que memorando de Trump autoriza bigtechs a conduzir vigilância cibernética, podendo influenciar o pleito de outubro e ameaçar a soberania digital do Brasil
Imagem: Daniel Schwen · CC BY-SA 3.0 · fonte/licença
Na quarta‑feira (12), o presidente Donald Trump assinou um memorando que autoriza o uso de bigtechs em operações de vigilância e efeitos cibernéticos, levantando temores de interferência nas eleições brasileiras de outubro.
O documento permite acesso não autorizado a sistemas de informação, bem como a manipulação, interrupção ou destruição de redes de telecomunicações, internet e infraestrutura industrial, segundo analistas consultados.
Reynaldo Aragon, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos, descreve o risco como “espionagem e hackeamento de altíssimo nível”, capaz de gerar dossiês sobre candidatos a partir de perfis online.
O professor Euclides Vasconcelos destaca que as bigtechs, ligadas a governos, podem mobilizar e direcionar informações a grupos demográficos específicos, citando a desinformação que influenciou a migração em Ceuta como exemplo.
Em resposta, o Brasil revogou vistos de dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA e recomenda a criação de infraestrutura digital própria, já que grande parte dos sistemas sensíveis do país depende de tecnologia americana.
Para Trump, a disputa eleitoral no Brasil é um teste da nova doutrina de segurança dos EUA, que busca consolidar influência sobre a América Latina, tornando o Brasil uma peça-chave nesse plano geopolítico.
