Acusação de Tarcísio sobre Haddad e suspeita do PCC vira o momento mais comentado do debate
Cobrança sobre presença do petista ao lado de mulher hoje presa pelo tráfico dominou repercussão nas redes e colocou o governador no centro das atenções da campanha ao governo de SP
De todos os temas tratados no primeiro debate da campanha ao governo de São Paulo, realizado neste domingo (9) pela Band, nenhum dominou tanto a conversa nas redes sociais quanto a cobrança feita por Tarcísio de Freitas sobre a presença de Fernando Haddad em um evento oficial ao lado de uma mulher hoje presa por suspeita de ligação com o PCC.
O momento que virou o centro do debate
Durante o bloco sobre segurança pública, Tarcísio relembrou que Haddad esteve, em julho de 2025, no palco de uma cerimônia do governo federal na Favela do Moinho, ao lado de Alessandra Moja, apresentada na época como líder comunitária. O governador classificou a cena como ruim, envolvendo membros do poder público ao lado de uma figura hoje associada ao crime organizado. A fala se espalhou rapidamente: nas horas seguintes ao debate, o episódio já aparecia em cortes de vídeo, prints e montagens em perfis de Instagram, Facebook e X, além de matérias publicadas por veículos como Band, UOL, TMC, Aliados Brasil, ContraFatos e Diário do Poder, entre outros, todos destacando a mesma cena como o momento de maior tensão da noite.
Quem é a mulher no centro da polêmica
O caso ganhou peso porque não se trata de uma acusação vaga: Alessandra Moja é irmã de Leonardo Moja, o "Leo do Moinho", apontado pelas investigações como liderança do PCC na região central de São Paulo. Segundo o Ministério Público, ela teria atuado como executora dos interesses do irmão na comunidade, com suspeitas que vão de tráfico de drogas a lavagem de dinheiro e cobrança de propina em processos de remoção habitacional. Em setembro de 2025, cerca de um mês e meio depois de dividir o palco com Haddad e outros ministros no evento com o presidente Lula, ela foi presa na Operação Sharpe, ação das forças de segurança do estado contra a cúpula do PCC na favela.
A resposta de Haddad
Cobrado no debate, Haddad respondeu que a acusação era deselegante e questionou por que Tarcísio, se já tinha essa informação, não havia agido antes para prender Alessandra. Em seguida, aproveitou o momento para apresentar sua proposta de criação de um Gabinete Institucional de Segurança Pública.
Por que o episódio deu tanto destaque a Tarcísio
Independentemente de como o momento terminou, foi Tarcísio quem definiu a pauta da noite. Ao trazer um caso concreto, checável e já confirmado pela prisão de Alessandra, o governador conseguiu deslocar o centro do debate para um terreno favorável à sua narrativa de campanha, baseada na defesa de sua gestão na área de segurança. O resultado apareceu imediatamente na repercussão: enquanto outros pontos discutidos no debate, como os dados de educação e economia levantados pela checagem de veículos como UOL Confere e Agência Lupa, tiveram alcance mais restrito, o episódio da Favela do Moinho se transformou no assunto dominante nas redes e na cobertura jornalística das horas seguintes, mantendo Tarcísio no centro das atenções da campanha ao governo de São Paulo.
O que vem a seguir
Com a repercussão ainda em alta e a prisão de Alessandra Moja já confirmada judicialmente, é provável que Tarcísio volte a usar o episódio em campanha e nos próximos debates, mantendo o tema no centro da disputa contra Haddad.
