Telescópio NASA Roman contará com IA brasileira para analisar bilhões de galáxias
Brasil lidera o processamento de alertas do novo telescópio Roman, usando IA para filtrar e classificar o volume colossal de dados que a missão gerará
Imagem: NASA, ESA, A. Aloisi (STScI/ESA), and The Hubble Heritage (STScI/AURA)-ESA/Hubble Collaboration · Public domain · fonte/licença
Às 8h26 de domingo, o foguete Falcon Heavy rugiu na base 39A do Centro Espacial Kennedy, carregando o telescópio Nancy Grace Roman rumo ao ponto L2, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra.
Com um espelho principal de 2,4 m, tamanho equivalente ao do Hubble, o Roman oferece sensibilidade e resolução semelhantes, mas seu campo de visão será, no mínimo, 100 vezes maior, permitindo mapear extensas regiões do céu em alto detalhe.
A missão primária, prevista para cinco anos, deve observar mais de um bilhão de galáxias, detectar milhares de supernovas e identificar cerca de 100 mil mundos, entre exoplanetas e corpos interestelares.
O destaque brasileiro está no Arandu, broker de alertas astronômicos criado pelo Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB‑IA) do CBPF. A ferramenta usa inteligência artificial para processar, filtrar e classificar o imenso fluxo de dados gerado pelo telescópio.
Segundo o coordenador científico Clécio Roque De Bom, o Arandu tornará viável a seleção rápida de eventos relevantes, transformando grandes volumes de informação em conhecimento científico e inserindo o Brasil em uma etapa decisiva da astronomia contemporânea.
Além das observações de galáxias distantes, o Roman realizará monitoramento repetido da região central da Via Láctea, possibilitando o estudo de mudanças rápidas no céu e a construção de um levantamento estatístico dos sistemas planetários da nossa galáxia.
