"O Documentário da IA" chega à Netflix e reacende o debate sobre o futuro diante da inteligência artificial
Dirigido pelos vencedores do Oscar Daniel Roher e Charlie Tyrell, o filme reúne CEOs como Sam Altman e Dario Amodei para discutir os riscos e as promessas da IA
Um filho a caminho e uma pergunta difícil de responder: que mundo a inteligência artificial vai deixar para a próxima geração? Foi esse o ponto de partida de Daniel Roher, cineasta vencedor do Oscar por "Navalny", para embarcar na produção de "O Documentário da IA: Ou Como Me Tornei Otimista Diante do Apocalipse", disponível na Netflix desde setembro de 2026.
Codirigido por Charlie Tyrell, o longa-metragem acompanha um cineasta prestes a se tornar pai que decide perguntar às pessoas que estão construindo a inteligência artificial que tipo de futuro está por vir. Para isso, Roher monta um estúdio dentro de casa e reúne um time de entrevistados que dificilmente estaria sentado à mesma mesa: os CEOs da OpenAI, do Google DeepMind e da Anthropic, ao lado de pesquisadores, historiadores e críticos ferrenhos da tecnologia.
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Entre os nomes que aparecem no documentário estão Sam Altman (OpenAI), Dario e Daniela Amodei (Anthropic), Demis Hassabis (Google DeepMind) e Ilya Sutskever, além de vozes acadêmicas como Yuval Noah Harari, considerado o "padrinho da IA" Yoshua Bengio, Eliezer Yudkowsky e Timnit Gebru. Elon Musk (xAI) e Mark Zuckerberg (Meta) recusaram o convite para participar. O ativista Tristan Harris, cofundador do Center for Humane Technology e uma das vozes centrais de "O Dilema das Redes" (2020), também aparece na produção, reforçando a ponte entre os dois documentários.
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Segundo a crítica, o filme evita cair em um discurso único de pânico ou de otimismo ingênuo. A produção alterna entre a possibilidade utópica e o temor existencial, resultando em um retrato multifacetado de para onde a tecnologia pode nos levar. É esse equilíbrio entre fascínio e apreensão que dá nome ao filme: o "otimismo diante do apocalipse" do título.
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O lançamento não é um caso isolado. Ele integra uma leva recente de produções que tentam capturar a ansiedade coletiva em torno da IA, incluindo o documentário "Deepfaking Sam Altman", de Adam Bhala Lough, que usa um avatar digital do próprio Altman como protagonista, já que o executivo recusou participar. Ambos os filmes chegam em meio a um momento de forte especulação financeira sobre o setor: o valor de mercado combinado de gigantes como Nvidia, Apple, Microsoft e Meta cresceu na casa dos trilhões de dólares nos últimos anos, alimentando tanto o entusiasmo quanto o temor de uma bolha.
Para quem acompanhou o impacto de "O Dilema das Redes" em 2020, quando ex-executivos de Google e Facebook expuseram os mecanismos de manipulação dos algoritmos de redes sociais, a comparação é inevitável. A diferença é que, desta vez, o debate não é sobre o que a tecnologia já fez, mas sobre o que ela ainda pode fazer, e se a humanidade terá controle sobre isso.
