Por que o patinete elétrico causa lesões cerebrais 3,5 vezes mais que motos
Estudo publicado na Nature revela alta taxa de traumatismo craniano entre usuários de patinete elétrico, principalmente sem capacete, e destaca risco entre jovens
Um levantamento divulgado na revista Nature no início de agosto examinou mais de 15 mil casos de pacientes atendidos em hospitais da Inglaterra e do País de Gales após acidentes com patinetes elétricos.
Os resultados apontam que mais de um terço dos adultos feridos sofreu traumatismo craniano. Os usuários de patinete tiveram 3,5 vezes mais lesões cerebrais que motociclistas e 1,7 vezes mais que ciclistas.
Segundo o professor Jerry Tsang, da Queen Mary University of London, a combinação de centro de gravidade alto, rodas pequenas e ausência de proteção transforma uma queda simples em um risco grave de impacto direto na cabeça.
O uso de capacete é extremamente baixo: apenas 6% dos pacientes gravemente feridos o utilizavam, contraste marcante com 45% dos ciclistas e 76% dos motociclistas que estavam protegidos no momento do acidente.
Jovens representam 16% dos casos registrados, proporção significativamente superior à observada entre ciclistas e motociclistas, o que evidencia vulnerabilidade adicional desse público.
Especialistas alertam que, apesar da conveniência do patinete elétrico para deslocamentos curtos, ele não deve ser encarado como um brinquedo inofensivo, sobretudo nas vias urbanas irregulares.
