Meta patenteia óculos inteligentes que reconhecem rostos: como isso pode mudar a vigilância?
A patente descreve óculos com IA que gravam e identificam pessoas em tempo real, reacendendo o debate sobre vigilância e proteção de dados
A Meta enviou ao Escritório de Patentes dos Estados Unidos, em fevereiro, um pedido que detalha um sistema de câmeras integrado a óculos inteligentes capaz de identificar rostos e registrar vídeos automaticamente.
Segundo a documentação, a câmera captura imagens em tempo real e uma inteligência artificial analisa o ambiente, aplicando reconhecimento facial para reconhecer quem está no campo de visão. O algoritmo também detecta movimentos e ações, como pegar objetos ou entrar em salas.
Com base nessas informações, o software gera pequenos clipes rotulados com o nome da pessoa, a atividade realizada e o horário exato, enviando-os para o celular, óculos ou headset do usuário, evitando a necessidade de revisar longas gravações.
A patente chega em meio a controvérsias recentes: pesquisadores encontraram códigos ocultos de reconhecimento facial no aplicativo que acompanha os óculos da Meta, o que levou a empresa a remover o recurso após forte reação negativa.
Em nota ao Olhar Digital, a Meta afirmou que está avaliando cuidadosamente a tecnologia, que não pretende criar um banco de dados facial e que busca desenvolver produtos que melhorem a conexão entre as pessoas.
Especialistas alertam para os riscos de monitoramento constante e violação da privacidade, especialmente sob a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que exige bases legais claras para coleta de dados biométricos. Estabelecimentos como cinemas e órgãos públicos já podem proibir o uso desses dispositivos, e a fiscalização tende a aumentar à medida que a tecnologia avança.
