Estratosfera: camada de ozônio bloqueia radiação UV e garante habitabilidade
Ao absorver a radiação ultravioleta, a camada de ozônio protege DNA humano e marinho, sustenta o fitoplâncton e comprova o sucesso do Protocolo de Montreal
Imagem: NASA · Public domain · fonte/licença
Satélites que monitoram a atmosfera registram sinais de recuperação na espessura da camada de ozônio, indicando que as medidas globais adotadas nas últimas décadas estão surtindo efeito.
A camada de ozônio é uma faixa da estratosfera onde o gás O₃ se concentra muito mais que no restante do ar. Essa diferença química – três átomos de oxigênio em vez de dois – altera completamente seu comportamento.
Quando a radiação solar atinge a estratosfera, moléculas de oxigênio se dividem; átomos livres recombinam‑se formando ozônio, que por sua vez absorve a radiação ultravioleta (UV‑B e UV‑C) e se desfaz novamente, num ciclo que dura bilhões de anos.
Sem esse filtro natural, a radiação UV atingiria a superfície, danificando o DNA de plantas, animais e humanos. O fitoplâncton, responsável por grande parte do oxigênio terrestre, também seria comprometido, desencadeando desequilíbrios em todo o ecossistema marinho.
Na década de 1980, cientistas detectaram um forte declínio da concentração de ozônio sobre a Antártida, o chamado “buraco”. A causa foram os clorofluorcarbonos (CFCs), usados em geladeiras, aerossóis e espumas, que liberam cloro destrutor de ozônio ao chegar à estratosfera.
O Protocolo de Montreal, assinado em 1987, estabeleceu a eliminação gradual desses compostos. Quase todos os países aderiram, e os registros científicos mostram que a camada está em processo de recuperação, podendo voltar aos níveis anteriores a 1980 ao longo deste século.
Embora o ozônio não esteja ligado ao aquecimento global, substitutos dos CFCs, como os hidrofluorcarbonos (HFCs), aumentam o efeito estufa. Por isso, a Emenda de Kigali (2016) passou a limitar esses gases, reforçando a importância de acordos internacionais coordenados.
