A primeira vacina mRNA brasileira entra em testes humanos e pode servir como plataforma
Com aprovação da Anvisa, a Fiocruz inicia a fase 1 em 2027, abrindo caminho para usar a tecnologia mRNA contra câncer, dengue e outras doenças tropicais
Imagem: Openverse · CC0 1.0 · fonte/licença
Em um laboratório da Fiocruz, pesquisadores preparam a primeira dose da nova vacina mRNA que será administrada a voluntários no primeiro trimestre de 2027.
A Anvisa concedeu a liberação necessária para que a fase 1 avance, permitindo que o imunizante – desenvolvido inteiramente no Brasil, desde o código genético até a nanopartícula lipídica – seja testado em humanos.
Além de proteger contra as variantes atuais da Covid‑19, a tecnologia de mRNA funciona como uma plataforma que pode ser adaptada rapidamente para outras doenças, como câncer, dengue, malária e doença de Chagas, segundo projetos em andamento nos institutos nacionais.
Estudos preliminares em animais já mostraram que a entrega de mensagens genéticas via mRNA pode reduzir tumores sólidos em até 85 %, e pesquisadores buscam ainda simplificar terapias CAR‑T usando nanopartículas ao invés de manipulação laboratorial de células.
O Ministério da Saúde destinou R$ 210 milhões para ampliar essas pesquisas, envolvendo Fiocruz, Butantan e o CT‑Vacinas de Minas Gerais, com o objetivo de colocar o Brasil na vanguarda da biotecnologia de mRNA.
