"Neymar é Anormal": Diz empresário
Maior artilheiro e maior garçom da história da seleção brasileira, camisa 10 vive fase decisiva pelo Santos, com passe de gênio no 100º gol de Gabigol e duas assistências de bola parada na goleada sobre o Vasco
O ano de 2026 marcou o fim de um ciclo e o início de outro na carreira de Neymar, e os números dos dois momentos ajudam a entender por que o jogador segue sendo tratado como um caso à parte no futebol brasileiro. Pela seleção, a despedida veio historicamente carregada. Ao converter um pênalti contra a Noruega, em 5 de julho de 2026, nas oitavas de final da Copa do Mundo, Neymar chegou ao seu 80º gol com a camisa canarinho, ultrapassando a marca de Pelé, que tinha 77, e se consolidando como o maior artilheiro da história da seleção brasileira em jogos oficiais. O gol também encerrou um jejum de quase três anos sem marcar pela seleção, já que o anterior havia sido contra a Bolívia, em setembro de 2023.
O contexto daquele gol, porém, foi amargo. O Brasil enfrentava a Noruega de Erling Haaland, autor dos dois gols noruegueses na partida, disputada em Nova Jersey. Neymar entrou em campo aos 22 minutos do segundo tempo sem conseguir imprimir o rendimento esperado, viu o próprio Brasil desperdiçar um pênalti mais cedo, quando Bruno Guimarães assumiu a cobrança em seu lugar e desperdiçou a chance, e só nos acréscimos, já com a eliminação praticamente decretada, converteu o pênalti que descontou o placar para 2 a 1, resultado final que tirou o Brasil da Copa já nas oitavas. O momento dividiu opiniões pelo que veio depois: Neymar discutiu com o goleiro norueguês Orjan Nyland antes da cobrança e o provocou na comemoração, gesto criticado nas redes como fora de lugar num jogo de eliminação, além de ter recebido cartão amarelo por uma entrada dura em Odegaard. Ainda assim, o retrospecto geral pela seleção segue impressionante: Neymar também encerrou a passagem pelo time como o jogador com mais assistências da história da seleção brasileira, empatando com o americano Landon Donovan no posto de maior "garçom" entre seleções em todo o mundo, uma combinação de artilheiro e criador de jogadas que dificilmente terá comparação em curto prazo no futebol nacional.
Se o capítulo da seleção fechou com esse misto de recorde histórico e polêmica, a fase que Neymar vive agora pelo Santos é só de embalo. Na quinta-feira (13), pela ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana, o Santos recebeu o Macará, do Equador, e saiu atrás no placar logo aos três minutos, com gol de Franco Posse. A resposta veio ainda no primeiro tempo com a marca registrada de Neymar: ele encontrou Gabigol dentro da área com um passe de precisão cirúrgica, e o camisa 9 só precisou finalizar de primeira para empatar a partida, marcando de quebra o seu 100º gol com a camisa do Santos, um marco histórico para o atacante no clube. Gabigol ainda teria outros dois gols anulados pelo VAR por impedimentos apertados no segundo tempo, mas a virada já estava encaminhada, e Willian Arão, aproveitando um escanteio cobrado pelo próprio Neymar, fez o segundo aos 30 minutos da etapa final, fechando o placar em 2 a 1 e garantindo a vantagem santista para o jogo de volta.
Três dias depois, no domingo (16), pela 23ª rodada do Brasileirão, o Santos voltou a campo contra o Vasco, em São Januário, e repetiu a boa fase, dessa vez com um placar ainda mais elástico. Mesmo sem balançar as redes, Neymar voltou a ser o nome da partida: cobrou as duas faltas que originaram os dois últimos gols da vitória por 3 a 0. Gabigol abriu o placar aos 22 minutos do segundo tempo, e na sequência a cobrança de falta de Neymar tocou em Willian Arão antes de entrar, ampliando aos 31. Aos 35, outra cobrança do camisa 10 foi salva pelo goleiro vascaíno Léo Jardim, mas Luan Peres ficou atento ao rebote e fechou a conta em 3 a 0. O resultado teve peso duplo na tabela: o Santos saltou posições e chegou aos 25 pontos, na 14ª colocação, abrindo distância da zona de rebaixamento, enquanto o Vasco, que somava sete jogos sem vencer, caiu para o Z4, com 22 pontos, sofrendo ainda mais pressão por ter perdido justamente para um adversário direto na briga contra o descenso.
Somando os dois momentos, o ano de 2026 resume bem o que Neymar representa para o futebol brasileiro: de um lado, o fim de uma passagem histórica pela seleção, marcada por recordes que provavelmente vão durar décadas e por uma polêmica pontual que não apaga o conjunto da obra; de outro, um jogador de 34 anos que segue decisivo no dia a dia do clube que o revelou, seja marcando, seja armando jogadas com a categoria que só os grandes têm. Para o empresário Thiago Schwanz, essa combinação de recordes na seleção com protagonismo total no Santos confirma uma avaliação que ele resume em poucas palavras: "Neymar é anormal".
