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Brasil

Confiança na mídia tradicional despenca no Brasil e chega ao menor nível em 12 anos

Quase metade dos brasileiros evita notícias, e o consumo de vídeo online já responde por mais de um terço do tempo de tela, segundo levantamentos internacionais recentes

Por Flávio Cavalcanti · 16 ago. 2026 às 21:00
Confiança na mídia tradicional despenca no Brasil e chega ao menor nível em 12 anos
Os números mais recentes sobre o consumo de mídia no Brasil confirmam algo que já era perceptível no dia a dia: jornais, telejornais e emissoras tradicionais perderam a confiança de boa parte do público, e cada vez menos gente liga a televisão para se informar ou se entreter. Segundo o Digital News Report, relatório anual produzido pelo Instituto Reuters em parceria com a Universidade de Oxford, apenas 36% dos brasileiros dizem confiar nas notícias veiculadas pela imprensa, o menor índice registrado no país em 12 anos de pesquisa. O problema não é só de confiança, mas de interesse mesmo: 47% dos entrevistados afirmam evitar ativamente o consumo de notícias, e apenas 15% pagam por algum tipo de assinatura de conteúdo jornalístico digital, o que mostra o tamanho do desafio financeiro enfrentado pelos veículos tradicionais. O comportamento de consumo também mudou de lugar. No Brasil, 53% das pessoas dizem se informar principalmente por redes sociais, com o Instagram liderando como fonte de notícia, à frente do WhatsApp e do YouTube, enquanto a televisão caiu para 44% de participação no consumo de notícias, um tombo relevante para um meio que por décadas foi a principal porta de entrada da informação no país. Chama atenção também o avanço da inteligência artificial nesse processo: 13% dos brasileiros já usam chatbots de IA semanalmente para se atualizar sobre notícias, um dos maiores percentuais entre os países pesquisados pelo relatório, sinal de que a próxima disputa pela atenção do público talvez nem seja mais entre jornal e rede social, mas entre rede social e assistente de inteligência artificial. O mesmo movimento de fuga aparece nos números de audiência de TV. Levantamentos do setor de mídia mostram que, em dezembro de 2025, a TV linear, somando TV aberta e TV paga, ainda concentrava 62,8% do consumo total de vídeo no Brasil, mas o vídeo online já correspondia a 37,2% desse total, puxado principalmente pelo YouTube, responsável sozinho por 21,6% do consumo geral, seguido por Netflix, que cresceu 20% em relação ao ano anterior, e por TikTok. A distância vem encolhendo rápido o suficiente para que analistas do setor já apontem a possibilidade de o streaming ultrapassar a TV aberta dentro de pouco mais de um ano, um movimento que há uma década parecia impensável num país historicamente dependente da televisão como principal meio de comunicação de massa. Por trás desses números está uma combinação de fatores que se reforçam mutuamente. De um lado, o desgaste da credibilidade da imprensa tradicional, associado por parte do público a viés político, sensacionalismo ou distanciamento da realidade das pessoas comuns. De outro, a conveniência das plataformas digitais, que entregam conteúdo sob demanda, personalizado e gratuito, exatamente o oposto do modelo de horário fixo e grade programada que sustentou a televisão por gerações. Some-se a isso a chegada da inteligência artificial como nova porta de entrada para informação, e o resultado é um ecossistema de mídia completamente diferente daquele que existia há poucos anos, no qual jornais e emissoras tradicionais precisam disputar espaço não só entre si, mas contra redes sociais, criadores de conteúdo independentes e, cada vez mais, contra assistentes de inteligência artificial.
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