Sociedade Brasileira de Pediatria alerta contra uso de canetas emagrecedoras em crianças
Uso sem prescrição pode provocar déficits de crescimento, desidratação e desencadear transtornos alimentares, reforçando a necessidade de acompanhamento médico
Imagem: Héctor Mendoza · CC BY-SA 4.0 · fonte/licença
Um vídeo que circulou nas redes sociais mostrando adolescentes segurando canetas emagrecedoras disparou uma onda de pedidos por esses medicamentos sem receita, gerando preocupação entre especialistas.
A SBP emitiu um comunicado oficial denunciando o uso indevido desses fármacos, que pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP‑1, e que são indicados apenas para obesidade grave ou diabetes tipo 2, sempre sob supervisão médica.
Entre os efeitos adversos citados estão déficit de crescimento, desidratação, distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula biliar. Os sintomas gastrointestinais costumam surgir na fase de aumento de dose.
O uso com objetivo estético também pode desencadear ou agravar transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de provocar ansiedade e depressão relacionadas à imagem corporal.
A entidade recomenda substituir a expressão popular “canetas emagrecedoras” por “medicamentos para tratar a obesidade”, reforçando que o tratamento visa melhorar a saúde e a qualidade de vida, e não apenas a perda de peso.
Mesmo nos casos de obesidade ou diabetes, a prescrição não é automática; o pediatra deve avaliar respostas a intervenções não farmacológicas, gravidade da doença, comorbidades, riscos potenciais e a capacidade de acompanhamento da família.
O SBP ainda alerta que esses fármacos são contraindicados para gestantes, lactantes, pessoas com hipersensibilidade ao princípio ativo, histórico de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2, e que a pancreatite prévia requer avaliação individualizada.
