Por que a doença renal crônica pode estar sendo subdiagnosticada em milhões de brasileiros?
Estudo da SBEN e da PUC-PR revela que menos de 5% dos pacientes de alto risco recebem exames de creatinina e albuminúria, dificultando a detecção precoce da DRC
A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBEN) e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC‑PR) divulgaram um levantamento que aponta um grave problema de subdiagnóstico da doença renal crônica (DRC) no Brasil.
Foram avaliados mais de 14 mil indivíduos com fatores de risco, como diabetes e hipertensão, para verificar a frequência dos exames de creatinina no sangue e de albuminúria na urina – os principais indicadores da saúde renal.
Os resultados mostraram que menos de 5% dos participantes que fizeram o exame de creatinina tiveram a albuminúria solicitada. Mesmo após campanhas nacionais de rastreamento, a taxa permaneceu abaixo de 7%, indicando resistência ou falta de hábito na prática clínica.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a DRC pode se tornar a quinta causa de morte mundial até 2040. O diagnóstico precoce, porém, pode mudar o curso da doença, permitindo intervenções que preservam a função renal e reduzem complicações cardiovasculares.
O Ministério da Saúde destaca que controlar fatores como diabetes, hipertensão, obesidade e tabagismo é essencial para prevenir a DRC. Além disso, recomenda a realização rotineira de creatinina e albuminúria em pacientes de alto risco.
Os autores do estudo, vinculados a instituições como a UNICAMP, a Escola Bahiana de Medicina e o Instituto Dante Pazzanese, concluem que ampliar o rastreamento diagnóstico é urgente para evitar um aumento oculto no número de pacientes que precisarão de terapia renal substitutiva.
