Polipílula brasileira pode reduzir risco de AVC: 8,5 mil voluntários já são convocados
Estudo do Hospital Moinhos de Vento reúne 8,5 mil brasileiros de 50 a 75 anos para testar a primeira polipílula nacional contra AVC, demência e infarto
A partir do final de 2025, equipes do Hospital Moinhos de Vento e do Ministério da Saúde começaram a recrutar milhares de brasileiros para testar a primeira polipílula desenvolvida no país contra acidentes vasculares cerebrais e outras doenças cardiovasculares.
O comprimido combina rosuvastatina 10 mg (reduz colesterol), valsartana 80 mg e anlodipina 5 mg (medicamentos anti‑hipertensivos), permitindo que os três fármacos sejam tomados simultaneamente.
Os participantes, entre 50 e 75 anos, nunca tiveram AVC ou infarto e não utilizam medicamentos para colesterol, pressão alta ou diabetes. Eles serão sorteados em dois grupos: um receberá a polipílula e o outro, um placebo idêntico, com acompanhamento médico periódico durante três a quatro anos.
O recrutamento está sendo feito em 14 centros de AVC espalhados por 10 estados, com outros locais ainda sendo incluídos. A participação é gratuita e inclui acesso ao aplicativo Riscômetro, que calcula o risco de AVC, infarto ou doença circulatória e envia lembretes para hábitos saudáveis.
Segundo a neurologista Sheila Martins, coordenadora do estudo, “quanto maior o número de participantes, mais robustas serão as evidências e maior o potencial de orientar futuras políticas públicas de prevenção”. O AVC é a principal causa de morte no Brasil, e 90 % dos casos poderiam ser evitados com controle adequado dos fatores de risco.
Resultados preliminares da fase piloto, realizada em Porto Alegre com 370 voluntários entre 2020 e 2023, mostraram queda média de 12 mmHg na pressão arterial e redução de 40 mg/dL no colesterol, sem efeitos adversos graves. Agora, a pesquisa busca confirmar se esses benefícios se traduzem em menor incidência de AVC, demência, infarto e mortalidade cardiovascular em escala nacional.
