Diagnóstico tardio supera tratamento precoce e agrava esclerose múltipla
Estudo revela que a demora de até dez anos para confirmar a esclerose múltipla impede o diagnóstico precoce, aumenta risco de incapacidade permanente e eleva custos ao paciente
Imagem: Senado Federal · BY 2.0 · fonte/licença
Quatro anos de consultas, exames e encaminhamentos levaram a educadora física Lucimara de Lima Santana a percorrer dezenas de consultórios antes de descobrir que tinha esclerose múltipla.
O levantamento, realizado com 368 pacientes em tratamento, apontou que 56,8% receberam diagnóstico incorreto antes da confirmação e que 26,6% aguardaram mais de cinco anos para o diagnóstico definitivo; 14,1% esperaram uma década ou mais.
Segundo o neurologista Rodrigo Kleinpaul, coordenador do Ambulatório de Neuroimunologia da UFMG, a rapidez no diagnóstico é crucial para preservar a reserva funcional do cérebro e da medula, retardando a progressão da incapacidade permanente.
Entre as barreiras citadas pelos entrevistados, 36% apontam a dificuldade de reconhecimento por parte de médicos e profissionais de saúde, 23% mencionam a falta ou o alto custo de exames como a ressonância magnética, 18% destacam a própria demora do processo e 12% citam custos de acesso ao diagnóstico correto.
Além do impacto clínico, a demora afeta a vida profissional e social: 72,8% relataram prejuízos na renda, 41,6% evitam encontros sociais e 85,6% enfrentam gastos mensais extras. Apesar dos avanços no tratamento que evitam a necessidade de cadeiras de rodas, o acesso ainda é obstáculo para muitos pacientes.
