Como a pressão nas redes não muda regras de inclusão em estudos clínicos de Lito Sousa
Entenda como a mobilização digital acelerou contatos com patrocinadores, mas não substitui os critérios científicos rígidos nos ensaios da doença de Creutzfeldt-Jakob
Em 12 de agosto, as menções a Lito Sousa nas redes sociais aumentaram 63.001% em apenas uma semana, sinalizando uma mobilização inédita em torno de seu diagnóstico.
Diagnosticado com câncer e a rara doença neurodegenerativa de Creutzfeldt-Jakob, o influenciador recebeu apoio de familiares e de outros criadores, que divulgaram pedidos de inclusão em estudos clínicos experimentais.
Apesar da intensa campanha online e de contatos com instituições e órgãos públicos, Lito não foi aceito em dois ensaios clínicos que a família considerou adequados, o que gerou frustração e questionamentos sobre a efetividade da pressão popular.
Especialistas como o professor Ivan Ricardo Zimmermann, da UnB, ressaltam que a visibilidade pode acelerar diálogos com patrocinadores, mas não pode substituir os critérios científicos e regulatórios que definem a elegibilidade dos voluntários. O cardiologista José Rocha Faria Neto, da PUCPR, reforça que os protocolos de estudo são rígidos para garantir validade e que mudanças para atender casos individuais podem comprometer a pesquisa.
Como alternativa, o uso compassivo – previsto na RDC nº 38 da Anvisa – permite que pacientes com doenças graves e sem tratamento disponível acessem medicamentos ainda não registrados, mediante justificativa clínica e trâmites específicos. Autoridades como o Ministério da Saúde e o Itamaraty podem facilitar procedimentos logísticos, mas não interferir nos critérios de inclusão dos ensaios.
