O primeiro workshop de bordado madeirense mantém viva a cultura em Santos
A oficina realizada na Vila Criativa reuniu moradores e visitantes para aprender a técnica tradicional, reforçando laços da comunidade madeirense em Santos
Imagem: Catedrales e Iglesias · BY 2.0 · fonte/licença
Quando a agulha deslizou pela primeira vez sobre o tecido na Praça Rui Ribeiro Couto, o som discreto de linhas se entrelaçando marcou o início da oficina de bordado madeirense.
A iniciativa, organizada pela Associação Luso‑Brasileira de Beneficência Madeirense (Alma), contou com a presença da artesã Maria Vieira Sardinha, que viajou de São Paulo para conduzir a aula e transmitir conhecimentos que atravessam gerações.
Entre os participantes, destacou‑se Maria Carmina d Andrade Sebastião, 76 anos, que aprendeu a arte com a mãe, filha de uma das primeiras bordadeiras da Ilha da Madeira. Ela reforçou a importância de manter viva a tradição, ensinando técnicas de pontos delicados e desenhos característicos.
O bordado madeirense, reconhecido pela sua delicadeza e riqueza de detalhes, chegou a Santos com a onda migratória do final do século XIX. Hoje, ele integra a identidade cultural dos bairros do morro do São Bento e de outras áreas da Baixada Santista.
Além do aprendizado, a oficina teve caráter solidário: cada participante foi convidado a doar 1 kg de alimento não perecível, ação que apoia famílias vulneráveis e se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente Educação de Qualidade.
Moradores como Carminda de Mesquita, 70 anos, elogiaram a experiência, destacando que o bordado exige paciência, mas oferece grande satisfação ao ver a peça concluída, reforçando laços comunitários e preservando memórias históricas.
